Violência contra a mulher: suas raízes e danos

    Data desta notícia: 05/04/2021

    O panorama completo da violência contra as mulheres é extenso e complicado. Suas raízes são longas e existem há muitos séculos. Pode-se dizer que existem desde o início dos tempos. Isso porque o gênero feminino sempre foi visto como o mais fraco, o inferior. Então a violência foi usada como uma forma de subjugar as mulheres por muitos anos durante a história da humanidade. E infelizmente isso continua acontecendo até os dias de hoje.

    As sociedades e civilizações foram criadas em sua maioria pelos homens. Toda a construção social ao longo da história foi idealizada pelo gênero masculino, então é notável que elas os favorecem mais. É social. Está enraizado. Isso é conhecido como patriarcado. Que é basicamente o “modelo de poder e comando” ser caracterizado pelo sexo masculino. Onde os patriarcas comandam as famílias e a organização social é feita pela autoridade paterna e masculina.

    Por muitos anos as mulheres foram a representação do delicado, frágil. O dever feminino era basicamente servir aos seus maridos, cuidar dos serviços domésticos e gerar filhos. Sua imagem deveria ser impecável e graciosa. Com esse pensamento, as mulheres acabaram sendo negligenciadas na sociedade, quando até seus direitos foram tirados. Vale lembrar que as mulheres só puderam estudar em escolas básicas a partir de 1827; só puderam fazer faculdade a partir 1879; só puderam votar a partir de 1932; só puderam praticar esportes taxados como “masculinos”, como o futebol, a partir de 1983. Até mesmo para abrir uma conta no banco, trabalhar fora, receber herança ou viajar, as mulheres casadas precisavam da autorização dos seus maridos. E quando solteiras, de seu pai. Isso só mudou em 1962. Foram séculos e séculos sendo refreadas pela figura masculina. Sendo negligenciadas.

    Essa imagem frágil atribuída às mulheres contribuiu para que subjugar e controlar essas mulheres, os homens usassem a violência. Os índices de violência contra a mulher continuam crescendo todos os anos. Estamos em pleno século 21 e o gênero feminino, mesmo com sua luta, continua sendo controlado e reprimido. Todos os dias milhões de mulheres em todo o mundo sofrem algum tipo de violência. Em casa, no trabalho, na rua. O sentimento de insegurança é constante.

    A questão da violência doméstica e contra a mulher só foi ter notoriedade aqui no Brasil quando foi criada a Constituição de 1988, que ampliou os direitos das mulheres. A partir disso foram criadas políticas públicas mais abrangentes de defesa às mulheres, as delegacias especializadas no atendimento à mulher (DEAM) e também as leis Maria da Penha e contra o Feminicídio.

    Quando se é relatado uma violência contra a mulher logo vem à mente casos de agressão física. Muitas vezes vindas de seus parceiros. Mas existem diversas formas de violência. A física é apenas uma delas. E essas agressões são uma violação aos direitos humanos e devem ser denunciadas.

    Os tipos são:

    Violência Física

    É entendida como qualquer ato que danifica a integridade ou saúde corporal da mulher. Como espancamento, estrangulamento, lesões com objetos cortantes, tortura, queimaduras, atirar objetos ou apertar os braços da mulher, entre outros.

    Se seu parceiro te pegar pelos braços e sacudir seu corpo, ele está te agredindo fisicamente. Se ele atirar um copo ou qualquer objeto em você, ele está te agredindo fisicamente. Se algum homem te bater, chutar, morder, arranhar, beliscar, isso é agressão física.

    Violência Psicológica

    Quando o dano é causado no emocional da mulher diminuindo sua autoestima, seu desenvolvimento ou mirando controlar suas ações, decisões, comportamentos e até crenças. Ameaças, constrangimento, chantagem, insultos, manipulação, ridicularização, vigilância constante, perseguição, isolamento são apenas algumas das violências psicológicas. Existe também o “gaslighting” que é quando o homem distorce e omite fatos com a intenção de deixar a mulher em dúvida sobre o que realmente aconteceu e sua sanidade.


    Violência Sexual

    Muito comum na sociedade esse tipo de violência acontece quando existe uma conduta que força a mulher a presenciar, participar ou manter qualquer tipo de relação sexual não desejada mediante a ameaça, coação, intimidação ou uso de força bruta. O estupro e o impedimento de uso de métodos contraceptivos são alguns tipos de violências sexuais. Forçar o aborto, matrimônio ou gravidez também se caracteriza neste tipo de violência.

    É importante ressaltar que o estupro ocorre também dentro do casamento. Isso ainda é um tabu mas precisa ser falado. Quando o parceiro obriga a mulher a ter qualquer tipo de relação sexual com ele sem ela querer, é estupro. Sexo oral, anal, vaginal e até masturbação se categoriza como estupro se a mulher for obrigada a praticar sem ela querer.

    Violência Moral
    Quando o ato se configura em calúnia, injúria e difamação. Como por exemplo, assediar, acusar a mulher de traição, fazer críticas mentirosas, expor a vida íntima da mulher, desvalorizá-la por seu modo de vestir e se comportar ou até mesmo rebaixar a mulher por meio de xingamentos ferindo sua índole.


    Violência Patrimonial

    Esse tipo de violência ocorre quando existe uma destruição ou subtração dos bens, objetos e documentos da mulher. Acontece quando o homem controla o dinheiro da mulher, destrói seus documentos ou itens pessoais, deixa de pagar a pensão alimentícia ou há algum tipo de furto, extorsão ou dano.

    Violência Obstétrica

    Se configura violência obstétrica qualquer ato, procedimento ou conduta que desrespeite ou agrida fisicamente ou psicologicamente a mulher durante a gestação, parto ou pós-parto. A falta de recursos, negligência durante o parto, discriminação devido a etnia, idade ou classe social da mulher e as agressões verbais, físicas e sexuais se enquadram neste tipo de violência.

    Esses tipos de violências acontecem todos os dias com as mulheres simplesmente pelo fato delas serem mulheres. Muitas vezes essas agressões acontecem de forma constante na vida da mulher. Muitas vezes de forma sutil e silenciosa. Muitos relacionamentos são abusivos e as mulheres não percebem ou não conseguem sair deles. Se o parceiro desvaloriza, intimida, envergonha, negligencia e agride, isso não é um relacionamento saudável.
    Os casos de violência contra a mulher não diminui, apenas cresce. Muitos casos são relatados, contudo, muitas vítimas não conseguem denunciar seu agressor. Ou por ele ser seu familiar, seu parceiro, por vergonha do ocorrido ou medo. E os danos causados às vítimas são enormes. Mulheres que sofreram violências podem ter mudanças comportamentais como insegurança, dificuldade em se relacionar, problemas sexuais, baixa autoestima, tristeza, estresse, depressão, ansiedade, raiva constante, síndrome do pânico, fraturas, mutilações, obesidade, doenças inflamatórias e imunológicas. Porém, a pior consequência de abusos constantes e violência contra mulher é o feminicídio.

    As estatísticas mostram que a cada sete horas uma mulher é assassinada no Brasil. E a Lei do Feminicídio (nº 13.104/15) foi criada especificamente para esse tipo de caso. Essa lei mudou o Código Penal Brasileiro inserindo o feminicídio na modalidade de homicídio qualificado. E assim, alterando a Lei dos Crimes Hediondos incluindo o feminicídio. Isso aumenta a pena deste tipo de crime para a máxima: de 12 a 30 anos de reclusão.

    O Brasil se tornou referência mundial no combate da violência contra a mulher devido a criação da Lei Maria da Penha (nº11.340) que foi sancionada em 2006. Essa lei gera penas mais duras para agressores que não podem mais ser punidos com penas alternativas e também facilita o fornecimento de medidas protetivas às mulheres. Também amplifica as medidas de prevenção à violência. Dados do Conselho Nacional de Justiça relatam que no ano de 2018 foram aplicadas cerca de 400 mil medidas protetivas e que correm na justiça mais de um milhão de processos relacionados à Lei Maria da Penha. Vale ressaltar que esse números são apenas os casos notificados judicialmente. As estatísticas apontam que a cada dois minutos é registrado um boletim de lesão corporal contra mulher no país. E que por dia ocorrem cerca de 180 estupros no Brasil e mais da metade desses estupros ocorrem com meninas menores de 13 anos.

    A violência contra a mulher ocorre desde que o mundo é mundo. Vemos que não importa a idade, raça, etnia, religião, aparência ou comportamento da mulher. Pode ocorrer na rua, no trabalho, na igreja, na escola, em casa. Pode acontecer com uma adulta, idosa, jovem, criança e até com bebês. Pode ser executada por algum estranho ou um parente próximo. Aconteceu antes e está acontecendo neste momento. Enquanto você leu este post, mulheres foram violentadas. Mas o que podemos fazer para impedir esse tipo de situação e ajudar essas vítimas?

    Primeiro, precisamos entender que as mulheres não são o sexo frágil. Não devem ser desvalorizadas ou diminuídas. Suas ações, vontades, falas e comportamentos não são aberturas para que homens as agridam. As mulheres devem ser respeitadas.

    Se você percebeu que alguma mulher pode estar sofrendo ou ter sofrido algum tipo de violência, busque ajuda por meio dos seguintes canais:

    Ligue para o 190 (Polícia Militar) em casos de emergência.

    Ligue para o 180 (Central de Atendimento à Mulher) para fazer denúncias de violência. Neste número a mulher também pode receber orientações sobre os seus direitos e sobre a legislação, podendo ser encaminhada para outros serviços se houver a necessidade.

    Busque delegacias especializadas no atendimento à mulher (DEAM). Devido a Lei Maria da Penha os boletins de ocorrência devem ser enviados ao juiz em até 48 horas e a justiça também tem 48 horas para analisar e julgar o caso. As medidas de proteção à vítima devem ser tomadas com urgência.

    Existem também os Centros de Referência da Mulher que é um espaço onde é disponibilizado acolhimento e atendimento às meninas e mulheres vítimas de violência. Lá é oferecido atendimento social, psicológico e também encaminhamento jurídico.

    Vale lembrar que as denúncias podem ser realizadas de forma anônima e sigilosa.

    Se você está sofrendo algum tipo de violência, saiba que não está sozinha. Busque ajuda. Sua vida é preciosa e ninguém deve sofrer nenhum tipo de violência. Denuncie.

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