O colapso da saúde no Brasil

    Data desta notícia: 09/04/2021

    Nos últimos dias temos visto um dos maiores sinais de que a saúde no Brasil está em colapso: a falta de oxigênio em hospitais de toda Manaus. Além de faltar algo básico como o oxigênio nos hospitais da capital do Amazonas, ainda faltam equipamentos e insumos hospitalares. Mesmo com a mobilização da população, de famosos e até mesmo da Venezuela que se disponibilizou a ceder cilindros de oxigênio para Manaus, o cenário ainda é preocupante porque há dificuldades até no transporte do material.

    As autoridades dizem que essa escassez foi devido ao aumento exponencial dos casos de covid-19 não apenas no estado como em todo o país. E que os fornecedores de oxigênio de Manaus não estão dando conta da demanda que é três vezes maior durante essa pandemia. Mas é notável que esse não é o único problema na saúde brasileira. Desde antes da pandemia, o país já sofria com o descaso público e os desvios de verba na área da saúde e toda essa negligência culminou no que vemos hoje não só em Manaus, mas no Brasil todo.

    A falta de oxigênio nos hospitais já é realidade em Manaus e provavelmente será também em outros estados do Brasil, com maior risco de escassez na região Norte. Essa crise na saúde, além de ser potencializada devido a pandemia, também se deve ao mal planejamento do governo brasileiro com a saúde. A multinacional responsável pelo fornecimento de oxigênio no estado do Amazonas, White Martins, revelou que comunicou o governo e especificamente o ministro da saúde, o general Eduardo Pazuello, sobre a dificuldade de produção e a iminente falta de oxigênio no início do mês. Isso nos mostra a falta de planejamento do governo brasileiro e também a sua negligência.

    Em entrevista, a enfermeira Karen Valladares demonstra insatisfação em relação à política pública na área da saúde:

    “Esses políticos corruptos não têm escrúpulos e se aproveitam da pandemia para saquear os cofres públicos. Não sabemos até que ponto vai a capacidade desses indivíduos. A certeza da impunidade reflete em uma das ações absurdas como o caso da exportadora de vinhos que vendeu respiradores com valores triplicados. Exportadoras de vinhos vendendo respiradores? Como assim?”
    O esquema de venda de respiradores que Karen cita aconteceu em 2020. Uma CPI da saúde revelou que o governo do Amazonas comprou 28 respiradores superfaturados de uma adega de vinhos, a FJAP. A adega recebeu cerca de 2,9 milhões de reais pelos equipamentos e o Tribunal de Contas do Estado concluiu que houve um superfaturamento de 49 mil reais em cada respirador, o que soma 1,372 milhão a mais para o fornecedor do produto e a menos para a saúde. 2,2 milhões de reais do dinheiro recebido pela adega foram encontrados em uma conta no exterior mostrando que houve uma clara lavagem de dinheiro.
    Desvios de verba infelizmente são frequentes no país. Quando casos de corrupção vêm à tona, um sentimento de revolta e até de certa “normalidade” toma conta do povo brasileiro. E esses crimes custam muito além de dinheiro para a saúde brasileira. A falta de verbas, devido aos roubos e desvios, gera o atendimento precário em hospitais em todo o país por causa da falta de equipamentos, medicamentos e até salários para os profissionais. Profissionais esses que precisam se desdobrar para conseguir atender seus pacientes e salvar suas vidas.

    A chegada da vacina e sua liberação no Brasil é um sopro de esperança para a população. A Anvisa aprovou o uso emergencial de duas vacinas no último domingo (17): a AstraZeneca, produzida pela Universidade de Oxford em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, e a Coronavac, produzida pelo laboratório Sinovac em conjunto com o Instituto Butantan.

    E a primeira pessoa já foi vacinada no país, mais especificamente no estado de São Paulo. A enfermeira Mônica Calazans tem 54 anos e trabalha em uma Unidade de Terapia Intensiva. Sua imunização foi a representação de um grande passo dado não apenas contra o coronavírus, mas também na saúde do Brasil.

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